Após confronto, casal é agredido por PMs na avenida da Paulista
Fonte: Folha de São Paulo
| Créditos: Eduardo Anizelli / Folhapress |
Após a série de confrontos entre policiais e manifestantes que protestavam contra o aumento do transporte na cidade de São Paulo, pessoas que estavam sentadas em um bar na avenida Paulista foram expulsas do local, à força, por um grupo de PMs.
Entre os agredidos está um casal de universitários que chegou a participar da manifestação, mas disse ter deixado o protesto mais cedo ao notar atos de vandalismo.
A estudante de Rádio e TV Gabriela Lacerda, 24, estava com o namorado no bar Charme da Paulista, na esquina com a alameda Casa Branca, quando um grupo de policiais portando escudo e tonfa (espécie de cassetete) abordou clientes e derrubou as mesas e cadeiras que estavam na calçada.
Os policiais ordenaram a funcionários do estabelecimento que fechassem as portas e, aos gritos e empurrões, mandou todos os clientes irem embora.
Os militares se dirigiram ao local após um grupo de pessoas correr para lá fugindo de bombas de gás lançadas por uma guarnição da Tropa de Choque. O grupo era formado na maioria por fotógrafos que se aglomeraram no canteiro central da Paulista e podem ter sido confundidos com manifestantes que se reagrupavam.
Gabriela e o namorado, Raul Longhini, 20, após saírem do bar, foram derrubados na calçada --ela teve o antebraço direito ferido com golpes de tonfa.
"Sou super pacífica, esta foi a primeira manifestação que participei. Mas saí antes porque vi que nem todo mundo estava com a mesma proposta. Nunca pichei um muro e pago meus impostos", disse.
"A polícia foi extremamente violenta. Eu estava sentada tomando cerveja e me jogaram no chão. Me deram porrada." A Folha presenciou as agressões.
Longhini disse, revoltado, que não poderia nem reclamar da ação na Corregedoria da PM porque os policiais estavam sem identificação em seus coletes. "Isso é um absurdo. Quem deveria me proteger me agride sem motivo", afirmou o estudante de marketing.
Também na avenida Paulista, uma funcionária do shopping Center 3 teve que fugir correndo para escapar das bombas lançadas por PMs. A recepcionista Carolina Pardin, 25, estava ao lado da reportagem, caminhando, quando um policial mirou em direção a ela após alguns manifestantes dispersarem na mesma direção.
"Eu trabalho no shopping como recepcionista. Fiquei no horário normal, não fui liberada mais cedo. Por isso só saí agora. Vi que miraram em nossa direção e a bomba disparou perto de mim. Disse a jovem após se recompor da inalação do gás lacrimogêneo.
PROTESTO
Esse foi o quarto protesto contra as passagens de ônibus, na última semana. As pessoas começaram a se concentrar por volta das 16h, quando já havia grande quantidade de policiais, inclusive fechando o viaduto do Chá, onde fica a Prefeitura de São Paulo, e revistando e interrogando pessoas.
Antes mesmo do início da passeata, já havia 30 pessoas detidas. Ao todo, foram confirmadas 192 detenções durante o protesto. Os organizadores também apontam cerca de cem feridos, sendo que sete jornalistas da Folha foram atingidos.
O prefeito Fernando Haddad (PT) afirmou na noite de hoje que a manifestação de hoje contra o aumento das passagens de ônibus, metrô e trens foi marcada pela "violência policial" . Já o secretário da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, determinou a abertura investigações, pela Corregedoria da Polícia Militar, para apurar os relatos de agressão policial.
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